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Vacina contra câncer no cérebro é testada na Grã-Bretanha

Publicado em 13/01/2014

Começaram os testes de uma vacina para tratar uma forma agressiva do câncer de cérebro.

A vacina é personalizada e foi desenvolvida para ensinar o sistema imunológico a lutar contra as células de um tumor.

O primeiro paciente europeu recebeu o tratamento, no hospital King's College, em Londres, que faz parte de um grupo de mais de 50 hospitais, que estão testando o tratamento.

Robert Demeger, de 62 anos, foi diagnosticado da doença neste ano.

Ator de televisão e teatro ele teve que desistir de seu papel de Otelo, no aclamado Teatro Nacional, depois que começou a ter convulções.

Ele foi convidado para ser o primeiro paciente na Europa a participar do experimento internacional.

Vacina

Cirurgiões removeram o máximo possível de seu tumor - que foi depois levado a um laboratório onde foi incumbado com células dendríticas (células imunológicas tiradas de seu sangue).

O objetivo foi ensinar as células a reconhecer o tumor.

A vacina personalizada que resultou do processo foi injetada no braço dele, com a esperança de que aquelas células treinariam o sistema imonológico dele sobre como localizar e destruir o câncer.

Ele receberá dez doses da vacina nos próximos dois anos.

O tumor retirado estava na área do cérebro responsável pela fala.

"Tenho trabalhado com um terapeuta da fala e com o chefe das vozes no Teatro Nacional"."Não sei se poderei voltar aos palcos em semanas ou meses, mas estou esperançoso", disse Demeger.

Vacina pesonalizada

"Mesmo que um tumor pareça igual em dois pacientes, na realidade ele varia muito", disse Keyoumars Ashkan, neorocirurgião do King's College, que está liderando a parte britância da pesquisa.

"Por isso, a terapia padrão provavelmente não é a melhor. Há uma necessidade de fornecer tratamento individualizado baseado no tipo de câncer de cada paciente".

O tratamento envolve pacientes com glioblastoma, a forma mais agressiva de um tumor primário de cérebro, que afeta cerca de 1.500 pessoas por ano na Grã-Bretanha.

A média de sobrevivência desses pacientes é de 12 a 18 meses.

EUA

Dois estudos anteriores menores da terapia DCVax, nos Estados Unidos, descobriram que o tratamento aumentava essa sobrevida para três anos, sem efeitos colaterais.

Vinte pacientes participaram dos testes e dois deles estão vivos há mais de dez anos.

Ashkan ressaltou que a atual pesquisa, que envolverá 300 pacientes, é necessária para mostrar se o tratamento é realmente eficiente. Metade deles receberá a vacina real e os demais tomarão placebos.

"Até obtermos os ressultados desta pesquisa não saberemos se a terapia deve ser oferecida a todos os pacientes", ele disse.

Demeger afirma que está encantado em fazer parte dessa pesquisa. "Qualquer coisa que me dê uma chance melhor, mas também por outros fatores, vale a pena participar disso".

Postado em: 13/01/2014
 
 
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